Bom dia!

Mais uma semana se inicia, e como de costume, aqui está o seu relatório com as coisas mais relevantes que aconteceram na semana passada.

No relatório de hoje:

  • Governadores do banco central mais poderoso do mundo fazem pronunciamento sobre IA

  • OpenAI lança GPT-5.4

  • BNDES planeja fundo para IA e data centers no Brasil

  • E mais…

Assunto destaque

Governadores do Banco Central Mais Poderoso do Mundo Fazem Pronunciamento sobre IA

O Federal Reserve (Fed) é o banco central dos Estados Unidos. Ele é considerado o banco mais influente e poderoso do mundo, praticamente é ele quem controla os juros americanos, regula o sistema financeiro e influencia a economia global.

Quando o Fed fala, mercados se movem, moedas oscilam e políticas econômicas ao redor do mundo se ajustam. E recentemente, três de seus governadores se pronunciaram a respeito da IA.

Lisa Cook, Michael Barr e Christopher Waller pontuaram um diagnóstico de que a IA está causando uma mudança geracional no mercado de trabalho, e as ferramentas que o Fed normalmente usa para estabilizar a economia podem não funcionar dessa vez.

Entre os três, Lisa Cook foi a mais direta afirmando que a demanda por programadores já caiu de forma mensurável e que a taxa de desemprego entre recém-formados subiu porque empresas estão usando IA para substituir exatamente o tipo de função que antes era porta de entrada no mercado de trabalho. 

Mesmo que o desemprego geral ainda esteja em 4,3%, o que faz os números macro ainda parecerem normais, dados de payroll da ADP mostram declínios de até 6% no emprego de jovens em setores altamente expostos à IA.

Lisa e Michael Barr afirmam que se a IA gerar desemprego estrutural ao mesmo tempo que aumenta a produtividade, o Fed não consegue baixar juros para aliviar o problema sem gerar inflação.

O instrumento clássico de política monetária para combater o desemprego deixa de funcionar quando o desemprego vem da própria expansão econômica, pois juros mais baixos estimulam consumo e investimento, o que aquece a economia e gera empregos quando o problema é a falta de demanda, mas quando o desemprego é causado por ganho de produtividade, a economia já está aquecida. Baixar juros nesse contexto apenas alimenta a inflação sem criar os empregos que foram deslocados.

Diante disso foi que Michael Barr relatou que existem apenas 3 cenários:

  • Adoção gradual: A IA se comporta como a internet nos anos 90. Os ganhos de produtividade chegam de forma progressiva, entre 0,3 e 0,9 pontos percentuais ao ano, o desemprego sobe transitoriamente por incompatibilidade de habilidades, mas trabalhadores conseguem se retreinar e o mercado se reequilibra ao longo do tempo.

  • Ruptura acelerada: As capacidades da IA crescem exponencialmente e a adoção é massiva. Agentes de IA substituem ocupações profissionais e de serviços em escala, com uma parcela significativa da força de trabalho tornando-se estruturalmente inempregável. A economia produziria mais do que nunca, mas para poucos.

  • Decepção tecnológica: A IA não entrega o que promete. O avanço estagna, os investimentos bilionários em infraestrutura não se pagam, e o risco migra para o sistema financeiro, como aconteceu com as ferrovias no século 19 e com a fibra óptica nos anos 2000.

Qualquer um dos três cenários, mesmo o mais otimista, pressupõe um período de transição sem rede de proteção convencional.

Christopher Waller acrescentou constatando que a dimensão de velocidade: a adoção da IA generativa no ambiente corporativo após o lançamento do ChatGPT foi tão rápida quanto a adoção do PC da IBM em 1984, para se ter como base, a McKinsey registrou que 79% das grandes empresas já usam IA generativa em ao menos uma função de negócio. 

Em 2023, esse número era de 33%, isso significa que em apenas dois anos o ambiente corporativo global mudou mais do que mudou na última década.

E é exatamente a velocidade dessa mudança que torna a situação inédita, pois em transições tecnológicas anteriores, governos e bancos centrais tinham tempo para reagir, ajustar juros, criar políticas de retreinamento, amparar trabalhadores deslocados. 

Mas a IA não está dando esse tempo.

O problema comum em ascensão que isso causa, é o risco de que uma geração inteira possa entrar no mercado de trabalho num momento em que as funções de entrada foram automatizadas, sem que as funções de substituição existam ainda em escala suficiente. Sem experiência acumulada, sem histórico profissional, e sem para onde se retreinar.

Em outras palavras, quando o banco central mais influente do mundo sinaliza que pode perder o controle sobre os efeitos do desemprego causado pela IA, ele está dizendo que não haverá rede de proteção convencional para essa transição, o que por consequência fará com que os ajustes recaiam diretamente sobre empresas e trabalhadores.

Notícias

Principais da Primeira Semana de Março:

# Recordes de financiamentos em startups de IA nos EUA

O mês de fevereiro registrou um recorde histórico de US$ 189 bilhões em investimentos globais em venture capital para startups, com 90% dos investimentos direcionados a empresas de IA, dominados por gigantes como OpenAI, Anthropic e Waymo.

Mas ao longo deste fato, a OpenAI se destacou ao fechar uma parceria de vários anos com a Amazon, tornando a AWS a distribuidora exclusiva da plataforma enterprise Frontier da OpenAI, além de expandir o acordo de infraestrutura em US$ 100 bilhões por oito anos. A OpenAI também ampliou seu acordo com a Nvidia para maior capacidade computacional.

# Relatório preliminar de VC's na LATAM mostra capital, mas poucas startups

Um relatório preliminar sobre a venture capital na América Latina, indica que há mais capital, mas menos startups. Segundo o LatAm VC Report 2026, o volume investido em 2025 subiu cerca de 13,8% em relação a 2024, atingindo aproximadamente US$ 4,1 bilhões, mas ao mesmo tempo, o número de rodadas caiu para o nível mais baixo desde 2017, e o ticket médio por operação aumentou, sinalizando que o dinheiro está se concentrando em empresas mais maduras e com maior tração. 

# Twilio destaca LATAM e Brasil como líder em IA para atendimento ao cliente

Relatório inédito da Twilio, "Por Dentro da Revolução da IA Conversacional", posiciona a América Latina como líder global, com 31% das empresas implementando IA plenamente (média mundial: 28%). Brasil brilha com 44% nessa fase, impulsionado por WhatsApp e personalização em tempo real. 

Além disso, uma pesquisa com 4.800 consumidores e 457 líderes (ago-out/2025) revela tendências: alta expectativa por agentes inteligentes, mas gap de 31 pontos na satisfação percebida. Consumidores detectam bots (70%), mas erram identificação (90%). 

# BNDES planeja fundo para IA e data centers no Brasil

O BNDES avança na estruturação de um fundo bilionário para impulsionar IA e data centers no Brasil, com lançamento previsto para o início de 2026. O diretor Nelson Barbosa anunciou aporte inicial de R$ 500 mi a R$ 1 bi, podendo alavancar até R$ 5 bi com investidores privados. O foco é apoiar PMEs em pesquisa, algoritmos e infraestrutura crítica, reduzindo dependência externa e fomentando a inovação nacional. Isso complementa R$ 1,7 bi já liberados desde 2023 e parcerias como o hub no Rio. 

# Mercado de sistemas de diálogo de IA com LLM projetam alcançar US$5,26 bilhões

O mercado global de sistemas de diálogo baseados em Large Language Models (LLMs) deve alcançar US$ 5,26 bilhões, segundo projeções de consultorias como Business Research Insights. Impulsionado pelo boom do ChatGPT e rivais como Gemini, o setor está transformando atendimento ao cliente, e-commerce e automação empresarial, com América do Norte liderando via gigantes como OpenAI.

# Empresários asiáticos aumentaram gastos com ferramentas de IA em 20%

O investimento não se limita apenas à compra de software, mas estende-se ao treinamento de talentos locais e ao desenvolvimento de modelos de linguagem que respeitem as nuances culturais e linguísticas do Oriente. Especialistas apontam que a China e a Índia são os motores desse crescimento, com o setor privado respondendo rapidamente aos incentivos governamentais para a digitalização total da economia. 

Enquanto o Ocidente debate regulamentações éticas profundas, a Ásia parece focar na aplicação prática e no ganho de escala, consolidando uma vantagem competitiva que pode redefinir o equilíbrio de poder tecnológico na próxima década. 

# OpenAI lança GPT-5.4

O novo modelo destaca-se por sua capacidade inédita de operar sistemas operacionais de forma autônoma, utilizando mouse e teclado virtuais para navegar entre aplicativos profissionais. Com uma janela de contexto expandida para 1 milhão de tokens, o GPT-5.4 foca na produtividade corporativa, sendo capaz de realizar análises financeiras complexas e automação de e-mails com uma precisão 33% superior ao seu antecessor, o GPT-5.2. 

O lançamento ocorre em um momento estratégico, unificando os avanços de raciocínio da linha "Thinking" com o poder de execução do motor Codex. Disponível para assinantes Plus, Team e Enterprise, o modelo também chega aos desenvolvedores via API em três variantes, prometendo reduzir custos operacionais através de uma eficiência de tokens aprimorada.

# Governo dos EUA cria pacto de energia entre a casa branca e as big techs

O governo dos Estados Unidos anunciou a assinatura do "Ratepayer Protection Pledge" (Compromisso de Proteção ao Pagador de Tarifas) pelas principais empresas de IA e "hyperscalers", incluindo Amazon, Google, Meta, Microsoft, OpenAI, Oracle e xAI. 

O acordo estabelece que essas empresas devem financiar integralmente a construção de novas capacidades de geração de energia e as atualizações da infraestrutura de rede necessárias para sustentar seus datacenters massivos.

# China supera EUA em chamadas de API e define padrões para robótica humanoide

Dados da plataforma global OpenRouter revelaram que, em fevereiro de 2026, as visitas de usuários e chamadas de API para modelos de IA chineses (como DeepSeek V3.2 e MiniMax M2.5) superaram os níveis de uso dos modelos americanos pela primeira vez. Durante as reuniões legislativas anuais da China ("Two Sessions"), o Ministro da Indústria, Li Lecheng, destacou que os modelos de código aberto chineses estão liderando o mundo em downloads, baixando as barreiras para a adoção global da IA. 

Simultaneamente, a China lançou um sistema de padrões nacionais para robótica humanoide e inteligência incorporada (Embodied AI), visando acelerar a aplicação comercial em larga escala. Gigantes como o Haier Group anunciaram investimentos de 100 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 14,5 bilhões) em tecnologias nativas de IA para os próximos cinco anos.

# Brasil lidera ranking global de "Vício" em IA com crescimento de 1.400% no uso do ChatGPT

Um estudo da CheckPoint revelou que o Brasil se tornou o país mais dependente de IA no mundo. O tráfego para o ChatGPT no Brasil cresceu impressionantes 1.406% em um ano, e cerca de 83% dos profissionais brasileiros de tecnologia e conhecimento agora utilizam modelos generativos em suas rotinas diárias. 

Mais alarmante e fascinante para o mercado: 64% das tarefas solicitadas à IA pelos brasileiros buscam automação completa, indicando um desejo profundo de delegar responsabilidades operacionais às máquinas. Em contraste, países como o Japão apresentam altos níveis de pessimismo quanto à capacidade da IA de melhorar a sociedade.

# Rodadas de funding em startups de IA dominam a semana na Latam

A primeira semana de março de 2026 consolidou a Inteligência Artificial como o motor principal do Venture Capital na América Latina. O volume de aportes superou as expectativas de analistas, com rodadas estratégicas que variam de soluções de nicho, como a BeConfident (IA em educação), até gigantes em ascensão como a fintech ARQ, que captou US$ 70 milhões para escalar sua infraestrutura agêntica. 

Segundo relatórios recentes do Distrito e Crunchbase, o Brasil se mantém como o epicentro dessa inovação, abrigando 9 das 12 startups latinas mais propensas a atingir o status de unicórnio ainda este ano. 

# China domina corrida de robótica na Ásia e prepara para um “momento ChatGPT”

Mais de 2 milhões de robôs operando em suas fábricas e respondendo por mais da metade das instalações mundiais, Pequim agora foca no "momento ChatGPT" do setor integrando modelos de IA generativa em corpos humanoides. Empresas como UBTech e Unitree instalam milhões de unidades, superando EUA e Japão via investimentos estatais e IA avançada.

Jensen Huang (Nvidia) e Wang Xingxing (Unitree) preveem explosão em 1-3 anos, com foco em "inteligência encarnada" para lares, fábricas e militar.

Enquanto o Ocidente lidera no desenvolvimento de algoritmos de IA, a China detém a infraestrutura para dar "forma física" a essa inteligência em escala industrial. O objetivo é que, até 2027, esses robôs possuam capacidades cognitivas para aprender e inovar de forma autônoma, transformando-se em uma força de trabalho que poderá redefinir a produtividade e o consumo global nos próximos anos.

# China coloca IA como prioridade em seu 15º Plano Quinquenal 

Durante as sessões anuais do Congresso Nacional do Povo em Pequim, foi apresentado o rascunho do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), que coloca a IA como o principal motor para a "economia real". O foco mudou da expansão rápida para o "desenvolvimento de alta qualidade". 

O plano prevê a expansão massiva da infraestrutura de computação, o fortalecimento dos recursos de dados nacionais e a promoção da IA na governança e nos serviços públicos. A China busca reduzir sua dependência de tecnologias externas e consolidar sua liderança em manufatura avançada e energia verde através de processos otimizados por IA.

Recados finais

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