
Bom dia!
Mais uma semana se inicia, e como de costume, aqui está o seu relatório com as coisas mais relevantes que aconteceram na semana passada.
Na edição de hoje:
Destaques do NVIDIA GTC 2026
Governo brasileiro reforça investimentos em IA
China apresenta as metas do seu plano quinquenal
E mais…
Assunto destaque
Destaques do NVIDIA GTC 2026
Todo ano, a NVIDIA reúne desenvolvedores, líderes de tecnologia e investidores no seu evento mais importante: a GPU Technology Conference (GTC).
E o evento deste ano consolidou uma transformação fundamental na identidade corporativa da NVIDIA, que deixou de ser classificada meramente como uma fabricante de componentes de hardware para se tornar a operadora central da infraestrutura de inteligência artificial mundial.
Sobre o evento, vamos falar sobre os principais destaques.
# Projeção de US$ 1 trilhão
Jensen Huang declarou que, de onde ele está hoje, a NVIDIA enxerga pelo menos US$ 1 trilhão em demanda e pedidos confirmados pelas suas plataformas até 2027. Para se ter uma referência: no evento do ano passado, esse número era de US$ 500 bilhões.
Esse crescimento se dá pelo aumento brutal na demanda por processamento computacional, que segundo a própria NVIDIA cresceu um milhão de vezes nos últimos dois anos.
O principal combustível desse crescimento é a transição dos chatbots para os agentes de IA, pois eles são sistemas que não só respondem perguntas, mas executam tarefas de forma autônoma, gerando uma quantidade muito maior de processamento.
Hyperscalers e empresas nativas de IA estão fazendo pedidos numa escala nunca vista antes. A AWS, por exemplo, confirmou o deploy de mais de 1 milhão de GPUs NVIDIA em apenas uma única parceria.
# Vera Rubin
A plataforma Vera Rubin, já anunciada no CES 2026 e agora em produção plena, representa o maior salto tecnológico em hardware desde o lançamento do ecossistema CUDA.
A arquitetura foi projetada especificamente para resolver o chamado muro da memória, o gargalo físico que limita a velocidade de processamento da IA devido à latência na transferência de dados entre a memória e o processador. Em termos práticos, esse gargalo é o que faz modelos grandes ficarem lentos e caros à medida que crescem.
Justamente esse problema que a Vera Rubin ataca de frente, prometendo uma redução de até 10x no custo por token em comparação com a geração anterior (Grace Blackwell) além de eficiência energética significativamente superior.
O resultado direto será algo como: o mesmo processamento que hoje custa R$ 10 poderá custar R$ 1…
Para além dos data centers terrestres, a NVIDIA também anunciou o Space-1 Vera Rubin, uma versão da arquitetura projetada para operar em órbita, levando computação acelerada para a exploração espacial.
# Integração da tecnologia Groq e a LPU 3
Um dos anúncios mais comentados foi a confirmação oficial da aquisição do time da Groq. Huang revelou que a NVIDIA adquiriu a equipe responsável pelos chips Groq e licenciou a tecnologia.
O chip resultante, o Groq LP30, tem uma função específica: funciona como um processador de fluxo de dados determinístico, com compilação estática projetada para geração de tokens com latência ultrabaixa.
Em termos simples, enquanto a GPU Rubin cuida de tarefas pesadas de processamento, o chip Groq acelera a parte da resposta que o usuário percebe tornando interações em tempo real muito mais fluidas. Essa combinação híbrida permite o que a liderança da NVIDIA descreveu como a eliminação da latência perceptível em interações humanas com a IA.
Para o mercado corporativo, isso significa que aplicações que exigem respostas imediatas, como assistentes de voz em tempo real que reagem a cada sílaba ou ferramentas de edição criativa controladas por voz, tornam-se tecnicamente viáveis e economicamente acessíveis.
A recomendação para os arquitetos de centros de dados é alocar aproximadamente 25% da computação total para essa configuração aprimorada pela tecnologia Groq, reservando o restante para a infraestrutura tradicional de GPUs Rubin para tarefas de alto rendimento.
# OpenClaw e NemoClaw
De todo o evento, o principal destaque foi o OpenClaw.
Para entender essa seção, é preciso entender a ordem dos acontecimentos.
Três meses antes da GTC 2026, desenvolvido por um programador austríaco independente, sem a força de nenhuma das grandes empresas de tecnologia por trás, o OpenClaw se tornou o projeto de código aberto com o crescimento mais rápido da história. Segundo Jensen Huang, superou o que o Linux levou 30 anos para construir.
O OpenClaw é uma plataforma de código aberto para construir e rodar agentes de IA localmente, no próprio hardware da empresa sem depender de nuvem e sem depender das grandes empresas de tecnologia. Na prática, é um sistema que permite que agentes de IA naveguem em arquivos, usem ferramentas externas, executem tarefas agendadas e operem de forma autônoma e contínua.
Na GTC, Huang foi direto: "Para os CEOs, a pergunta é: qual é a sua estratégia com OpenClaw? Todos nós precisamos dela. Todos tivemos uma estratégia com Linux. Todos precisamos ter tido uma estratégia com HTTP e HTML, que deu início à internet."
Mas havia um problema. A natureza aberta do OpenClaw tornou sua adoção corporativa difícil porque as grandes empresas ficavam com receio dos riscos severos de segurança que poderiam surgir ao permitir que centenas de agentes digitais acessassem dados internos sensíveis ou tomassem ações que pudessem comprometer seus negócios.
O mesmo que tornava o OpenClaw empolgante também o tornava difícil de confiar em produção por questões de identidade dos agentes, acesso à rede, manipulação de dados sensíveis e limites de operação tornaram-se críticos.
E foi exatamente essa lacuna que a NVIDIA veio preencher com o NemoClaw. A NVIDIA desenvolveu o NemoClaw em parceria com o próprio criador do OpenClaw, e o resultado é essencialmente o OpenClaw com segurança e privacidade de nível empresarial integradas desde o início.
Em termos simples: o OpenClaw é o agente, e o NemoClaw é a camada de controle e segurança que a NVIDIA construiu ao redor dele.
Com um único comando, qualquer empresa pode instalar o NemoClaw e passar a rodar agentes autônomos com permissões definidas, privacidade garantida e regras claras de acesso.
Na prática, isso significa que qualquer empresa pode construir trabalhadores digitais autônomos, operando 24 horas por dia.
# IA física
A NVIDIA também reforçou seu posicionamento como provedor da infraestrutura necessária para o que chamamos de IA física (aplicação de IA em objetos e máquinas físicas).
No setor automotivo, parcerias com Uber, BYD, Hyundai, Nissan e Geely mostram que o sistema Drive Hyperion está sendo adotado globalmente por montadoras que juntas produzem cerca de 18 milhões de veículos por ano. O modelo Alpamayo permite que os veículos não só operem autonomamente, mas expliquem suas decisões aos passageiros em linguagem natural.
Na robótica industrial, grandes players como ABB, FANUC, KUKA e Universal Robots estão integrando as plataformas NVIDIA para treinar e operar robôs com dados sintéticos gerados pelo Cosmos 3, um modelo que unifica geração de mundos virtuais, raciocínio visual e simulação de ações em um único sistema.
Na saúde, empresas como Johnson & Johnson, Medtronic e CMR Surgical já estão usando modelos NVIDIA para desenvolver a próxima geração de robôs cirúrgicos.
Notícias
Aconteceu na semana:
# Europa registra rodadas de investimentos massivas em empresas de IA
Nscale (Londres) levantou €1,7 bilhão para infraestrutura de GPUs e orquestração; AMI Labs (Paris) captou US$ 1,03 bilhão em seed para pesquisa avançada (liderada por Yann LeCun); Qevlar AI (Paris) US$ 30 milhões para agentes de segurança que reduzem investigações de 60 para 3 minutos; Isembard (Londres) £37,5 milhões para fábricas AI-powered em defesa.
# China apresenta as metas do seu plano quinquenal
A China enfrenta uma crise demográfica aguda e está apostando tudo na automação para manter sua produtividade. O plano prevê o envio maciço de robôs humanoides (dotados de "IA corporificada") para setores com escassez de mão de obra e o desenvolvimento de agentes de IA capazes de tomar decisões autônomas na manufatura e logística.
A China também está promovendo um ecossistema global de IA de código aberto, visando atrair parceiros do Sul Global e reduzir a dependência de tecnologias proprietárias americanas.
A tabela abaixo resume as metas agressivas do governo chinês detalhadas neste novo plano:
Setor estratégico | Objetivo principal | Meta de penetração até 2030 |
Indústria e Manufatura | Modernização total de ecossistemas industriais via IA e robótica | > 90% em terminais inteligentes e agentes |
Robótica Humanoide | Implantação em setores com falta de mão de obra e alto risco | Produção de centenas de milhares de unidades |
Soberania em Chips | Autossuficiência em semicondutores de alto desempenho para IA | Independência de controles de exportação externos |
Infraestrutura de Dados | Criação de um mercado nacional de dados e infraestrutura "East Data, West Computing" | Integração nacional de clusters de computação |
# CEO da Samsung afirma que o mundo entrou num "superciclo de chips de IA sem precedentes"
Na Coreia do Sul, o CEO da Samsung Electronics, Jun Young-hyun, alertou que o mundo entrou em um "superciclo de chips de IA sem precedentes". Isso porque a demanda por memória de alta largura de banda (HBM4) para alimentar os novos sistemas da NVIDIA e AMD gerou um descasamento entre oferta e demanda que deve persistir por todo o ano de 2026.
A Samsung reportou que a demanda por memória em servidores de IA é de 8 a 10 vezes maior do que em servidores tradicionais. Este cenário tem implicações diretas no custo de hardware para o consumidor final e pequenas empresas.
Com a Samsung, SK Hynix e Micron dominando o mercado, o preço das memórias DRAM deve subir até 70% no segundo trimestre de 2026. Além disso, a Samsung enfrenta tensões sindicais, com membros votando por uma greve que pode paralisar a produção em maio, agravando ainda mais a escassez global.
# Alibaba Cloud e Baidu Cloud elevam preços em até 34% devido à demanda explosiva
Refletindo a escassez de hardware e o custo crescente de operação na Ásia Oriental, os gigantes chineses Alibaba e Baidu anunciaram aumentos significativos nos preços de seus serviços de nuvem focados em IA. A Alibaba Cloud elevou os preços de seus produtos de computação e armazenamento em até 34%, citando a necessidade de priorizar recursos escassos para seus serviços de modelos de linguagem e tokens.
A Baidu Intelligent Cloud seguiu o movimento com reajustes entre 5% e 30% em sua capacidade de processamento.
A tendência é que essa inflação tecnológica se espalhe para outros provedores globais à medida que a demanda por inferência agêntica cresce.
# Governo brasileiro reforça investimento de R$ 23 bilhões em IA e capacitação de servidores
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação detalhou o progresso do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O plano prevê a mobilização de R$ 23 bilhões até 2028, com foco em infraestrutura, soberania tecnológica e capacitação. Uma das metas mais ambiciosas é a formação de 115.000 servidores públicos em ferramentas de IA até o final de 2026, o que representa cerca de 20% do funcionalismo federal.
Este movimento governamental cria oportunidades gigantescas para empreendedores do setor de B2G (Business to Government). O governo está investindo R$ 1,76 bilhão especificamente para melhorar a entrega de serviços ao cidadão via IA, o que abre portas para startups que desenvolvem soluções de atendimento, processamento de documentos e análise de dados governamentais.
Além disso, o fortalecimento de parcerias entre o BNDES, Finep e o setor privado indica um ambiente de crédito mais favorável para projetos de base tecnológica no país.
# São Paulo e Porto Alegre sediam eventos sobre IA e infraestrutura
Em São Paulo, o Capacity LATAM reuniu líderes de data centers e operadoras para discutir como suportar a demanda explosiva por nuvem e IA na região. Simultaneamente, em Porto Alegre, a organização do South Summit Brazil anunciou recordes de presença de fundos de investimento (mais de 1.000 VCs esperados), destacando que "o momento de incerteza global é o melhor para reunir o ecossistema e discutir caminhos para a IA".
# Cognizant estima 93% dos empregos vulneráveis a disrupção por IA
Um novo relatório da consultoria Cognizant afirma que 93% dos empregos no mundo já são vulneráveis à inteligência artificial, ou seja, boa parte das tarefas desses trabalhos pode ser mudada ou substituída por máquinas e algoritmos. O estudo analisa milhares de tarefas e profissões e mostra que a IA está chegando em empregos de escritório, fábrica, tecnologia e até funções criativas.
O relatório estima que até 2032, cerca de 4,5 trilhões de dólares em trabalho humano poderão ser transferidos para automatizações. Mesmo assim, o relatório ressalta que a IA tende a transformar e redistribuir empregos, não só eliminá‑los, desde que empresas, governos e trabalhadores invistam em capacitação e aprendizado contínuo.
# China cria incentivos massivos para pessoas criarem startups de IA operadas por uma única pessoa – modelo de “one-person company”
Os governos locais chineses estão mobilizando milhares de empreendedores individuais para criar startups de IA sozinhos (chamadas OPCs). Eles oferecem escritório grátis em data centers ociosos, computação barata (até US$ 44 mil de subsídio em Pudong), empréstimos especiais e até cobertura de prejuízos.
Cidades como Suzhou querem 1.000 OPCs até 2028, Wuhan dá empréstimos com garantia e Shenzhen já planeja mais de 50 novas. Tudo isso usando ferramentas como o agente OpenClaw (open-source) para que uma pessoa só consiga codar, gerenciar e-mail e criar produtos sem equipe ou capital de risco.
# Mercado de IA na América Latina deve passar de US$ 40,5 bilhões em 2026 e chegar a US$ 504 bilhões até 2034 com o Brasil liderando com 38%
De acordo com relatório da Market Data Forecast divulgado e atualizado na última semana, o mercado de IA na Latam cresce a 37,1% ao ano. O Brasil responde por 38,2% do total regional, impulsionado por finanças (fraude em tempo real), saúde (diagnósticos), agricultura e varejo (previsão de demanda). A Estratégia Nacional de IA (ENIA) e parcerias público-privadas aceleram isso. CEO da Starya AI afirma que a IA já saiu do laboratório e entrou no dia a dia de empresas de todos os tamanhos.
# OpenAI planeja introduzir anúncios em todas as versões gratuitas e Go do ChatGPT nos EUA
A OpenAI confirmou que vai começar a exibir anúncios para todos os usuários das versões gratuita e Go do ChatGPT nos Estados Unidos nas próximas semanas. Isso inclui usuários que acessam via app ou web sem assinatura paga. A medida visa gerar receita recorrente em meio ao alto custo de operação dos modelos, enquanto mantém o acesso amplo.
# Casa Branca dos EUA anuncia framework sobre regulação de IA
A administração Trump detalhou sua nova estrutura política nacional para inteligência artificial, um documento que visa garantir a liderança absoluta dos EUA através da desburocratização radical.
O pilar central desta política é a "preempção federal", um mecanismo legal onde o governo de Washington anula as leis de IA criadas individualmente pelos estados (como Califórnia ou Texas). O objetivo é criar um "campo de jogo" único e previsível, evitando que as empresas tenham que navegar por 50 regimes jurídicos diferentes, o que, segundo o governo, atrasaria a inovação frente à concorrência chinesa.
Recados finais
Por hoje é só!
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