Bom dia!

O primeiro mês de 2026 está oficialmente concluído, confira no relatório de hoje as coisas mais relevantes dessa última semana de janeiro.

Na edição de hoje:

  • Desafios da Latam no mercado de IA para 2026

  • Clawdbot IA assistente que roda localmente

  • Avanço da IA é visto como risco no Brasil

  • E mais…

Assunto destaque

Desafios da Latam no Mercado de IA para 2026

A América Latina tem números impressionantes quando o assunto é potencial econômico com IA. Diversos estudos apontam que a adoção acelerada de inteligência artificial pode gerar entre 1,1 e 1,7 trilhão de dólares em valor econômico adicional por ano na região. 

Para ter uma ideia do tamanho dessa oportunidade, isso representa um aumento de produtividade anual entre 1,9% e 2,3%.

Mas mesmo com tamanho potencial, essa grande oportunidade tem problemas pontuais. 

Apenas 23% das organizações latino-americanas estão gerando algum valor econômico com IA. E quando olhamos para valor significativo, esse número despenca para meros 6%, tendo uma enorme lacuna entre potencial e realidade.

Enquanto o mercado de IA da América Latina deve saltar de 5,79 bilhões de dólares de 2025 para 34,62 bilhões até 2034, crescendo a impressionantes 22% ao ano, a maior parte desse valor continuará concentrada em grandes empresas. 

6 em cada 10 pequenas e médias empresas ainda não conseguem extrair valor mensurável de suas iniciativas com IA. Isso ocorre atualmente não somente na Latam, mas em todo o mundo.

O Brasil lidera a região com 25% do mercado, seguido por Argentina e México. Mas mesmo nesses mercados mais desenvolvidos, os obstáculos são estruturais e vão muito além de acesso à tecnologia.

O primeiro desafio é talento, mas não da forma que você imagina. 

Não se trata apenas de contratar cientistas de dados. Em 2024, mais de 70% das empresas identificaram a falta de profissionais qualificados como o principal impedimento para escalar IA e esse número se estende até o momento atual. 

O problema se agrava porque os poucos especialistas disponíveis migram rapidamente para mercados mais desenvolvidos, criando um ciclo vicioso de fuga de cérebros.

Para piorar, os programas de capacitação estão concentrados em poucos países e avançam devagar demais. Quando o Google Cloud anunciou em 2025 seu programa Capacita+ para treinar 200 mil profissionais em IA generativa, ficou claro que mesmo gigantes da tecnologia reconhecem o tamanho do buraco.

O segundo obstáculo é a infraestrutura. 

A América Latina tem vantagens naturais para sediar investimentos em IA, especialmente fontes abundantes de energia limpa. Mas a demanda explosiva por IA generativa pressiona recursos de forma que a região não está preparada para absorver.

Áreas rurais sofrem com conectividade precária. Data centers são insuficientes. A distribuição de energia é irregular. Esses gargalos não afetam apenas startups, impedem até multinacionais de operarem com eficiência plena.

Em 2024, a Microsoft investiu 2,7 bilhões de dólares para expandir a infraestrutura de nuvem e IA no Brasil, um dos maiores investimentos tecnológicos da história latino-americana. Mas mesmo com essa injeção massiva de capital, a infraestrutura disponível ainda não é suficiente para que pequenas e médias empresas acessem IA de forma ampla e barata.

O terceiro desafio é estratégico e talvez o mais crítico para empreendedores. 

A maioria das empresas ainda está abordando IA de forma incremental, buscando ganhos marginais de produtividade em vez de reimaginar processos de negócio ou modelos completos.

Essa abordagem tímida explica porque apenas 15% das organizações posicionaram IA como central em suas estratégias corporativas até 2025. O resto trata a tecnologia como ferramenta auxiliar, não como vantagem competitiva estrutural.

Setores onde a região tem vantagem natural mostram o caminho. Agricultura usa drones e análise de IA para melhorar solo e produtividade no Brasil, Argentina e Uruguai. Chile aplica IA em mineração para análise geológica e segurança de trabalhadores. Serviços financeiros lideram com detecção de fraude e análise de crédito.

Mas esses casos de sucesso são exceções. A grande maioria das empresas ainda usa IA de forma limitada e sem impacto real no negócio.

O quarto obstáculo é a fragmentação regulatória e de mercado. 

Enquanto outras regiões harmonizam regulações e integram mercados para criar economia de escala, a América Latina opera em silos nacionais. Essa fragmentação aumenta custos, complica operações regionais e afasta capital que prefere mercados mais integrados.

Iniciativas como o Processo de IA de Hiroshima oferecem estruturas para governança responsável, mas sua aplicação na região ainda é incipiente. Colaborações regionais em infraestrutura digital como LACChain e LACNet apontam direção correta, mas precisam acelerar drasticamente.

O quinto desafio é o capital e sua distribuição desigual.

Empresas que adotaram IA cresceram consistentemente mais rápido do que concorrentes sem IA durante 2025. Os venture capitalists sabem disso e estão cada vez mais focados em negócios baseados em inteligência artificial. Mas esse dinheiro ainda se concentra em poucos centros tecnológicos e favorece empresas em estágios mais maduros.

Pequenas e médias empresas, que representam a espinha dorsal da economia latino-americana, têm acesso limitado tanto a capital quanto a modelos de implementação adequados às suas realidades. Bancos de desenvolvimento e modelos inovadores de financiamento precisam preencher essa lacuna.

Para 2026 e além, a questão central não é se a América Latina participará da economia de IA, mas como, quando e em que condições. 

Podemos ver diversos mercados e setores explodindo e crescendo, como exemplo o mercado de e-commerce que deve ultrapassar 900 bilhões de dólares em 2026. Pagamentos instantâneos como o Pix brasileiro já movimentam trilhões. Nearshoring está trazendo manufatura avançada para México e região.

Todas essas e outras tendências adjacentes criam grande demanda por IA, mas até o momento, o potencial estimado de 1,7 trilhão de dólares anuais em valor adicional continua majoritariamente inexplorado na Latam devido aos seus desafios.

Notícias

Aconteceu na Última Semana de Janeiro:

# TCS investe US$37mi no Brasil como hub de IA para Latam

TCS anuncia US$37 milhões em campus em Londrina (PR), criando 1600 vagas até 2027, com labs de IA e foco em cloud (Google, AWS, MS) para serviços tech. Posiciona Brasil como hub LATAM para IA, alinhando com ambição de liderança global em tech services. Oportunidade direta para empreendedores brasileiros em parcerias.

# Avanço da IA é visto como maior risco empresarial no Brasil, diz estudo Allianz

O Allianz Risk Barometer 2026 aponta IA como o principal risco para empresas brasileiras (32% das citações de executivos), superando cibersegurança (31%) e mudanças regulatórias (28%). Riscos incluem falhas de governança, conformidade, decisões automatizadas, proteção de dados e danos reputacionais.

# "Lei básica de IA" já está valendo na Coreia do Sul e pode render multa de até R$ 108 mil

A partir de 22/01/2026, entra em vigor a primeira lei abrangente de IA da Coreia do Sul (AI Basic Act), com 43 artigos em 6 capítulos. Obriga empresas a notificarem uso de IA, rotularem conteúdos gerados por IA (watermarks) e garantirem transparência, especialmente em áreas sensíveis. Multas chegam a 30 milhões de won (~R$ 108 mil).

Com o dilema de ética e segurança de IA, podemos esperar com que iniciativas como essa se espalhem para o restante do mundo.

# Cursor lança novo navegador web gerado por IA com 3 milhões de linhas de código

A startup Cursor, pioneira em codificação assistida por IA, anunciou o FastRender, um navegador web completo desenvolvido autonomamente por agentes baseados em GPT-5.2.

Este navegador em apenas uma semana gerou mais de 3 milhões de linhas de código, ele é um exemplo simples de como a inteligência artificial já consegue fazer trabalhos complexos sozinha, facilitando nesse caso a criação de produtos de forma acessível, rápida e barata.

# Viraliza o Clawdbot, uma IA assistente que funciona localmente

Clawdbot é um assistente pessoal de IA open-source que roda localmente em hardware próprio, como Mac, Linux ou servidores VPS, revolucionando o conceito de agentes autônomos ao priorizar privacidade, controle total do usuário, produtividade e integração nativa com apps cotidianos. 

Diferente de chatbots web como ChatGPT ou Claude, ele atua como um "agente de verdade", pois ele gerencia e-mails, calendários, automações em WhatsApp, Telegram, Slack e Discord, executa comandos locais (quando autorizado) e mantém memória contínua para tarefas proativas, sem depender de nuvens ou assinaturas caras.

# OpenAI destaca desconexão entre prontidão da IA e integração nos negócios

A pesquisa da OpenAI revela que as ferramentas de IA estão poderosas e prontas para uso em escala, mas a maioria das empresas ainda não as integra efetivamente nas operações ou decisões diárias. Há um "capability overhang": as organizações arranham a superfície, criando uma lacuna entre o que a IA pode fazer e o que realmente é implementado. Isso foi destacado pela CFO Sarah Friar após o Fórum Econômico Mundial em Davos, onde líderes expressaram preocupação com a adoção lenta.

# Setor financeiro brasileiro avança em IA com aumento de receita, mas riscos cibernéticos lideram preocupações

Levantamento da 29ª edição da PwC CEO Survey mostra que 34% dos CEOs do setor financeiro no Brasil relataram aumento de receita associado à adoção de IA nos últimos 12 meses (42% neutro). 

Em custos, 28% observaram redução e 22% aumento. 45% dos líderes veem alta exposição a ameaças cibernéticas (acima da média global de 31%), e 32% citam disrupção tecnológica como preocupação. Quase metade (48%) prevê necessidade de menos profissionais juniores nos próximos três anos.

# DeepMind lança AlphaGenome para combater câncer

O DeepMind publicou um artigo na Nature sobre o AlphaGenome, um modelo de IA capaz de ler sequências longas de DNA (até 1 milhão de letras) para identificar mutações causadoras de doenças, representando um avanço significativo para o setor e para a medicina de precisão.

# Equipe de 6 pessoas supera Google e Anthropic em benchmark ARC-AGI de IA

Uma startup americana de IA chamada Poetiq, fundada por ex-pesquisadores do Google DeepMind, alcançou pontuação recorde no benchmark ARC-AGI-2 (padrão ouro para inteligência geral artificial) usando apenas uma equipe de 6 pessoas, 6 meses de desenvolvimento e US$ 40 mil em hardware. 

O feito supera tentativas da OpenAI, Anthropic e Google, destacando e mostrando a nós como pequenas equipes ágeis e focadas podem competir com gigantes em inovação de IA pura.

# Empresas de uma única pessoa ganha tração na China

As empresas individuais (one-person companies) estão crescendo rapidamente na China, especialmente em Shenzhen, essas empresas funcionam se fortalecendo totalmente por integração profunda de IA para automação de operações, criação de conteúdo, análise de dados e escalabilidade sem equipes grandes.

O governo de Shenzhen lançou plano de ação para criar 10 comunidades líderes nacionais de OPC até 2027, cada uma com mais de 10 mil m², fomentando mais de 1.000 startups de IA de alto crescimento. Os participantes de cerimônias e especialistas veem isso como forma de enriquecer o ecossistema empreendedor, reduzir custos operacionais e impulsionar vitalidade econômica.

# Brasil corre risco de ficar fora da corrida bilionária de data centers para IA

Sem conversão da MP 1.318/25 em lei (Redata - incentivos fiscais para equipamentos de data centers) até fevereiro/março, Brasil tem ~50% de chance de sair do mapa global de investimentos em infraestrutura de IA. Países vizinhos (Chile, México, Colômbia, Argentina - inclusive com centro da OpenAI) atraem com regras claras e cargas tributárias baixas. Entidades de TIC e telecom (manifesto em 29/01) cobram separação da tramitação com PL IA 2338/23 e urgência na comissão mista.

# Altos investimentos em IA causa crise de empréstimos para empresas de software

O entusiasmo com a IA está gerando medo em mercados de crédito, com dívidas de empresas de software enfrentando meltdown devido a leveraged buyouts excessivos, enquanto o setor prioriza investimentos em IA.

# Moltbook: rede social exclusiva para agentes de IA

Esta plataforma inovadora, permite que apenas agentes de inteligência artificial publiquem, debatam, votem e interajam entre si, enquanto humanos observam passivamente. Em poucos dias, já acumulou mais de 1,5 milhão de agentes inscritos e 60 mil publicações, com discussões sobre comportamento humano, falhas técnicas, cooperação entre bots e até criação de "religiões" digitais.

Recados finais

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